Desde o início da pandemia que a Associação de Enfermeiros Especialistas em Enfermagem Médico-Cirúrgica (AEEEMC) apoia os profissionais de saúde e acompanha atentamente a evolução epidemiológica dos casos de COVID-19 no nosso país.

Atualmente, face ao aumento exponencial do número de pessoas hospitalizadas, à escassez crescente de recursos humanos a nível global e às medidas avançadas pela tutela para a contratação de enfermeiros de cuidados gerais para integrarem e reforçarem as equipas de Cuidados Intensivos, a AEEEMC vem por este meio expor a sua apreciação perante as medidas avançadas.

Representando uma das classes profissionais mais importantes na linha de cuidados à pessoa em situação crítica portadora ou não de COVID-19, a AEEEMC, vem defender, não só o reforço por profissionais preparados e em rácios adequados às exigências na prestação de cuidados de elevada especificidade, como também e mais importante, a segurança e a qualidade dos cuidados prestados e as suas implicações no futuro das pessoas recuperadas e nos custos globais dos cuidados de saúde a curto, médio e longo prazo.

Reconhecemos o core de competências específicas do Enfermeiro Especialista em Enfermagem Médico-Cirúrgica e em Enfermagem Médico-Cirúrgica na área de Enfermagem à Pessoa em Situação Crítica como indispensáveis à resposta exigida ao momento para as Unidades de Cuidados Intensivos instaladas e/ou em processo de instalação.

Todas as organizações de saúde estão dotadas de Enfermeiros Especialistas em Enfermagem Médico-Cirúrgica. Importa verificar se estão, ou não, a exercer as suas competências especializadas e em caso negativo propomos a sua mobilização para as Unidades de Cuidados Intensivos.

A AEEEMC vem assim relembrar às organizações de saúde, que todos os Enfermeiros Especialistas em Enfermagem Médico-Cirúrgica efetuam durante a sua formação especializada estágio em Serviços de Cuidados Intensivos e de Urgência, desenvolvendo competências e raciocínio crítico fundamentais nestes contextos, principalmente em situação de elevada complexidade, imprevisibilidade e de pressão como a que atravessamos devido à pandemia.

A AEEMC defende que o reforço das equipas de enfermagem das Unidades de Cuidados Intensivos passa pela alocação de profissionais habilitados e preparados para resposta cabal às necessidades em cuidados de saúde, devendo por isso, qualquer resolução, incluir Enfermeiros Especialistas em Enfermagem Médico-Cirúrgica, a quem compete cuidar da pessoa e família/cuidadores a vivenciar processos médicos e/ou cirúrgicos complexos, decorrentes de doença aguda ou crónica, otimizando o ambiente e os processos terapêuticos e maximizando a prevenção, intervenção e controlo da infeção e de resistência a antimicrobianos.

Apelamos às organizações de saúde que avaliem todas as possibilidades no reforço das suas equipas de Cuidados Intensivos primariamente por Enfermeiros Especialistas em Enfermagem Médico-Cirúrgica, priorizando a segurança dos profissionais e a qualidade dos cuidados disponibilizados à população.

 

03 de novembro de 2020

Associação de Enfermeiros Especialistas em Enfermagem Médico-Cirúrgica

Comunicado 002.2020